Sentado à sala dos suicídios
© DE João Batista do Lago
Sentado à sala dos suicídios
Revi-os todos. Um por um.
De nenhum deles quero renascer!
Sentado sobre minhas tumbas
Assisto o desfile das carcaças
Condenadas à morte
Outrora, quando me era folião
Entrudo dos carnavais da vida
Sentia o gosto do mel
Agora, da corte do meu patíbulo
Vejo a sangria de cada ferida
Cantando loas, aos condenados, em vida
Já não me aquece o desespero de tê-la
Como dantes se fizera precoce:
Modelo que não sabia morrê-la...
Hoje desfilo todos os meus suicídios
Gerados na sacristia das minhas angústias (e)
Aplaudo com carinho todos os meus dissídios
Deem-me férias, pois, todos os deuses
Sacripantas que açulam pretendidos e puritanos e damagogos
Deixem-me suicidado diante de vossos cadafalsos
Aliterem-me como a miudeza dos pingos das chuvas
Como o eco de todas as dores do mundo...
Mas deixem-me sentado à sala dos suicídios
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